Desvendando a China
Janaína Camara da Silveira é jornalista e mora em Pequim desde 2007. É sócia-fundadora da Radar China, que presta consultorias de mercado e conjuntura, além de assessorias de mídia e jurídica. Ama a música brasileira, então vez que outra é vista como DJ. Escreve quinzenalmente neste espaço sobre o cotidiano da capital chinesa e as delícias de descobertas em outras cidades do país, sem perder o foco e o tempero brasileiros.
Amante na China
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Postado em: 07/11/2011
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Encantos da Cidade Proibida
Você está prestes a receber visitas em Beijing e já sabe o roteiro obrigatório. A Cidade Proibida é o primeiro passeio da lista, imperdível para os recém chegados, os antigos moradores, os turistas.
Pouco importa quantas vezes você tenha estado por ali. Há tanto detalhe nos ditos 999,5 quartos e salas que outra visita é sempre bem-vinda. Prepare a máquina fotográfica para clicar. Do olhar surpreso do turista do interior da China à janela entalhada cuja tintura descascada denota a força histórica do lugar, tudo vale um clique.
Em abril, visitei a Cidade e registrei algumas imagens, que deixo logo abaixo para você. Não foi a primeira vez, espero não ser a última. É sempre bom voltar. Imagine que o palácio levou 15 anos para ficar pronto.
A construção, reza a lenda, envolveu 1 milhão de trabalhadores entre 1406 e 1420. Foi neste último ano que a capital da Dinastia vigente, a Ming (1368-1644), foi transferida de Nanjing para Beijing.
No ano seguinte, a cidade murada de 900 metros de extensão por 750 metros de largura foi inaugurado. Ali, viveram 24 imperadores. O último Pu Yi, saiu em 1924, 13 anos depois de os republicanos derrubarem a última dinastia chinesa, a Qing (1644-1911). Não eram só eles. Só o séquito de concubinas chegavam a centenas. E os poderosos, misteriosos lendários eunucos completavam a força braçal e intelectual, numa corte em que intrigas e artimanhas ditavam a rotina.
Bernardo Bertolucci, no clássico O Último Imperador, conta a vida de Pu Yi. A plasticidade das locações e o vigor da história – real – são convites para assistir outra vez mais. Aliás, tarefa para antes e depois de conhecer a Cidade Proibida. Afinal, é bem mais legal ver o trono do imperador sabendo quem foi o último a ser o dono do campinho.
Oficialmente, a Cidade Proibida chama-se Museu do Palácio – dividido ainda antes da fundação da República Popular da Nova China em duas unidades, uma das quais está em Taipei, Taiwan, onde estão a maioria das peças de arte e artefatos recolhidos de dentro do palácio.
Saiba mais
Cidade Proibida, ou 故宫 – lê-se GuGong
Norte da Praça da Paz Celestial, Avenida Chang’An
(天安门广场北侧 )
Preço: Abril a outubro 60 yuans. Novembro a março 40 yuans. Há tíquetes adicionais para exposições permanentes como a Sala dos Relógios ou a Sala de Jóias. Em geral, 10 yuans.
Metrô: Tiananmen West ou Tiananmen East
Horário de funcionamento: Abre todos os dias. De abril a outubro, 8h30 às 17h. Tíquetes vendidos até 16h e última entrada permitida às 16h10min. De novembro a março, 8h30 às 16h30. Tíquetes vendidos até 15h30. Última entrada às 15h40.
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Postado em: 12/10/2011
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Brasil e China: a relação comercial do futuro
O jornal inglês Financial Times, respeitado pela cobertura de negócios, economia e política, publicou no final de maio uma série de reportagens especiais sobre a relação comercial entre Brasil e China em que classifica estes laços como a grande relação comercial do início do século 21.
Segundo o Financial Times, a grande questão é enfrentar os desafios que se apresentam e tentar diminuir os mal entendidos que, prevê, pontuarão as negociações.
O ponto mais óbvio diz respeito às exportações brasileiras para a China, baseadas em commodities – nomeadamente minério de ferro e soja – e as exportações chinesas em sentido inverso. A inundação de manufaturados chineses de baixo custo assusta a indústria verde-amarela, que se debate para proteger seus interesses.
Mas outro ponto é destacado já na reportagem de abertura: o total desconhecimento mútuo acerca das culturas sino-brasileiras. Como vender e prosperar num país sobre o qual não se sabe nada? A distância cultural é a maior do mundo moderno, em se tratando de dois países tão importantes no atual cenário geopolítico, constata a reportagem.
Eles bem podem estar certos. Quando da visita da presidente Dilma Rousseff à China, em abril deste ano, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) promoveu junto aos governos brasileiro e chinês o Seminário Brasil-China, Para além da Complementaridade. Na ocasião, o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, destacou a necessidade de maior entendimento entre as duas sociedades. O mesmo caminho foi apontado em recente encontro do grupo Profissionais Brasileiros na China, realizado em Shanghai, pelo embaixador Clodoaldo Hugueney. Para ele, é imprescindível que os laços culturais sejam também reforçados, a fim de garantir saltos qualitativos para as negociações comerciais.
O Brasil tem tarefas hercúleas pela frente. Segundo o Financial Times, definir exatamente o que espera e o que quer da relação com a China é a primordial. E, assim, saber o quanto pretende investir neste ponto.
A reportagem faz uma metáfora interessante. Foi agora em maio que aportou no Brasil o maior graneleiro do mundo, capaz de transportar 400 mil toneladas de minério de ferro na rota Brasil-China, um cargueiro fabricado na Ásia para transportar os recursos brasileiros.
Os sete primeiros serão feitos na Coreia do Sul. Os 12 seguintes, na China. E o jornal alfineta o Brasil: o pais terá de definir o papel que quer manter nesta viagem. E, principalmente, o quanto quer investir nisso. Coincidência ou não, foi na última sexta-feira que Dilma falou sobre a necessidade premente de fortalecer a indústria de navi-peças no Brasil. Tudo bem que o foco da presidente são as enormes demandas previstas para o setor petroleiro graças ao pré-sal. Mas bem que caberia ao transporte intercontinental robusto. Afinal, falamos de uma relação que só fará crescer ou não?
Se você quer ler na íntegra, em inglês, acesse aqui.
Postado em: 06/06/2011
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Os potinhos cerâmicos
Ainda antes de vir à China, vi estes potinhos que vocês estão vendo aí na foto e ficava pensando: o que será que tem? Será que é bom?
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Ao chegar aqui, descobri se tratar de iogurte, mas algum amigo com quem estava - e que agora não lembro quem é - alertou que poderia ser perigoso consumir. Daí, nunca tomei. Eis que pouco antes da Olimpíada estava passeando pelas ruas de Beijing com uma amiga chinesa e ela parou para tomar o iogurte.
- Quer? - perguntou a mim.
- Claro - respondi.
Ela não estava bem do estômago, acredita que o iogurte pode ajudar. Eu estava superbem e acredito que o iogurte é dos deuses, uma pena não ter tomado antes. Vem bem gelado nestes copos superfofos de cerâmica, com esta tampa em papel. Usa-se o canudo para furar o papel, toma-se o conteúdo. O nosso era de leite com mel. Recomendadíssimo para quem vier ou está na China.
O nome do iogurte é fengmisuannai. Custou 3 yuans, em torno de R$ 0,50. Mas a Aida ainda reclamou. Diz que se acham mais baratos, por 2 yuans.
• Em tempo
- Os copos a gente não pode levar pra casa. São até ecológicos: você toma no local mesmo e devolve a embalagem
- Os iogurtes são feitos diariamente e distribuídos nos pontos de venda
Postado em: 14/09/2010
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As lojas de palitos de fósforos
Vir à China e sair com espaço sobrando na mala é sacrilégio. Ou privilégio para poucos. A oferta de badulaques, sedas, gravatas, Armanis (reais, falsos, perfeitos ou quase isso) são um convite irresistível a comprar só mais "uma coisinha".
Dia desses, passeando por Houhai, achei uma destas "coisinhas" que podem ser tri interessantes: uma loja de caixas de palitos de fósforos. Pra variar, me encantei nas referências às propagandas comunistas da época da fundação da República Popular da China, que vocês vêem na foto. Mas a oferta vai além, tem imperadores, monges, deuses, divas, famosos em geral, futebol... A lista vai longe.
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Numa coleção que trazia uma mistura caprichada de ícones do século passado, como o Pelé (o primeiro a me chamar a atenção), vi um errinho na legenda. O Muhammad Ali, boxeador que despontou ao levar o ouro na Olimpíada de Roma em 1960, tá identificado como Charles Chaplin.
;p
"Escorregadelas" cinematográficas/esportivas à parte, a loja das caixas de palitos de fósforos pode ser uma boa opção de presente PEQUENO, interessante e barato (cada kit, com seis, oito caixinhas, custa em torno de R$ 5). E ainda fica em Houhai, região bacana para passear durante o dia, andar de barco pelo rio, relaxar.
Postado em: 24/08/2010
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Hein? Fala mais devagar
O casal grandãoo do cartaz é o que se conhece em Tokyo:
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Sobre Amor, produção de 2005 dos diretores Ten Shimoyama (Japão), Chin-yen Yee (Taiwan) e Yibai Zhang (China) conta três historias sobre três casais. Todas se interligam.
Bacana... Mas e daí? Daí que assisti a este romance e pensei: Encontros e Desencontros (a tradução estranha para o Lost in Translation (2003) de Sofia Coppola) já era. Tá, não é pra tanto, mas eu me apaixonei por Sobre Amor, fazer o quê?
Primeiro, o que tenho a fazer é contar um pouco do filme pra vocês.
Bem, Sobre Amor é a tradução para o título em inglês About Love. Em mandarim, a película é Lian Ai Ditu, ou Mapa do Amor. Chineses e japoneses vivem romances dificultados - ou ampliados e aprofundados - pelas barreiras da língua. No casal, ou projeto de, um fala japonês, outro chinês. Num dos casos, um inglesinho bem básico ajuda.
Sempre há um estrangeiro nas histórias, ou seja, gente que vive fora do seu país - e que não fala, ou não domina e até está bem longe disso, o idioma local. Perfeito para eu me sentir quase dentro do filme. Também perfeito para saber que esqueci o japonês que sabia, que estou longe de saber mandarim. Mas isso é outro papo.
Lian Ai Ditu é pura poesia nas ruas de Tokyo, Taipei ou Shanghai. Mostra solidão, insegurança, conquista, amizade e curiosidade na medida certa, aquela que te faz te aproximar de alguém pra falar mais com olhos e o corpo do que usando palavras.
Para quem é apaixonado pela Ásia, nada melhor do que passear pelas ruas abarrotadas de Tokyo, visitar a beira da praia em Taipei e curtir a mistura moderna e suburbana/caótica de Shanghai. Destaque para as roupas penduradas para fora das janelas todo o tempo.
O filme é delicado sem ser meloso, e o desafio está em entender o outro na comunicação falha que leva à irritação, aos momentos de profundo silêncio, às gargalhadas inevitáveis e a uma curiosidade crescente. E o "Te Quiero", espanhol que cruza a fronteira e representa com louvor uma língua latina nesta babel asiática, tem um papel fundamental. Entenderá o corajoso que seguir a minha dica e resolver assistir ao filme.
Postado em: 04/08/2010
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Os carstes chineses
Em 2008, fui de férias com destino ao Vietnã, país vizinho à China. Além da capital, Hanoi, visitei Halong Bay e Sapa. Mas é em Halong Bay que encontrei uma das paisagens mais espetaculares de carstes. Carstes? Bom, eu não sabia que o nome era este, mas quando descobri, resolvi saber um pouco além da denominação.
Carstes, são formações rochosas - e porosas -, em geral de calcário. Formam o que se chama dolinas (parecem montanhazinhas) e cavernas. Caverna eu conhecia por caverna. Agora sei que o nome da rocha é carste.
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Bueno, em outra ocasião de férias, estive em Guilin e Yangshuo, cidades chinesas famosas pelos carstes e pela natureza exuberante, localizadas na província de Guangxi. Merecem o título. Mas meu guia sobre o Vietnã diz que os chineses são apenas um ensaio para o que se vê em Halong Bay - e, olha, um belo ensaio. A mesma formação se repete em Krabi, na Tailândia, caso alguém esteja querendo ir até lá. De novo: dizem que o top é Halong Bay. Para chegar ao Vietnã, brasileiros precisam de visto - pronto em coisa de quatro dias úteis na embaixada vietnamita em Beijing.
Deixo vocês com um pouco de carstes em Yangshuo, mas da parte visível sobre as águas. Fiquei encantada com a paisagem: muito verde, água e rochas.
Yangshuo fica a cerca de uma hora de ônibus de Guilin. Bem menor, é recanto de mochileiros e lugar pra se fazer escalada ou curtir os rios da região, como o Rio Li. Aliás, de barco de Guilin para Yangshuo, a viagem dura cerca de quatro horas e meia, com paisagens muito bonitas - carste, carste, carste! - em todo o percurso. Vale muito a pena.
Além de tudo, é barato viajar por lá. Hospedagem e comida caem bem para um turista estrangeiro - e mesmo nacional. É possível dormir por menos de 10 dólares em bons hotéis (nada de quatro estrelas, mas com ar-condicionado, chuveiro quentinho) e jantar por uma média também de 10 dólares, ou até menos. Olha, o tal paraíso de mochileiros ainda é pródigo em comida ocidental. Sou da opinião de que quem está na China, tem de comer comida chinesa. Mas o café da manhã é difícil para a maioria dos brasileiros, pelo menos, então outra vantagem de Yangshuo: os inúmeros pubs e cafés da cidade abrem logo cedo e oferecem opções de café ocidental. Ah, o café chinês traz pães diferentes, massas, conservas de verduras e umas sopas de arroz bem típicas.
Se pensarem em férias na China, incluam Yangshuo, pelo menos, no roteiro de pesquisa.
Postado em: 28/07/2010
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Delícias de Beijing
Uma cidade tem seus cheiros, sabores, texturas, sons e personagens, concorda? Morar numa cidade significa tentar explorá-la o máximo que pudermos até descobrirmos estas delícias que transformam o lugar em que estamos na casa da gente. Dia desses fiz uma grande descoberta em Beijing, o meu mais novo amigo Jia Yong e o seu restaurante, o Tian Hai. São cheiros, sabores, texturas, sons e personagens todos juntos, num lugar só.
O restaurante eu conheci no ano passado e achei uma graça. Queria mostrar o local para outros amigos. Peguei a bicicleta e saí à caça do local à tarde, pois não lembrava bem onde era, só sabia que se tratava de um hutong, bem atrás da Praça da Paz Celestial, a Tian'anmen.
Chego lá à tarde, encontro o local e um simpático chinês nos seus 40 e poucos anos sentando logo em frente, que me convida pra tomar chá. Chá de Yunnan, outra província chinesa, ao sul, na fronteira com o Vietnã. Digo que sou brasileira e ele me conta que conhece o Pelé, já fotografou o rei quando ele esteve na capital chinesa. Fotografa há 20 anos. São deles as fotos - maravilhosas - estampadas na parede do bar. Nasceu e cresceu ali na região. Beijinense da gema. Faz propaganda de um ensopado de miúdos de porco - bom para a pele - e o resto eu não entendo - a limitação da língua abreviou o papo agradável. Agradeço o chá, a companhia e vou embora.
À noite, de volta ao bar com meus amigos, cai a ficha. O chinês que me convidou pra tomar chá é o dono do lugar que havia escolhido para o nosso jantar! Ah, o lugar...
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O lugar é simplesmente um dos mais charmosos a que fui aqui. Tem as fotos, tem as paredes com os rebocos caindo, tem os móveis mais do que antigos e uma escada para o mezanino que parece que vai despencar. Tem bebidas para aumentar a potência sexual masculina, um álcool brabo temperado com lagartos secos (eu micro-experimentei um nano-gole, não por causa dos supostos efeitos da bebida, óbvio, mas por dever do ofício de bebedora e escrevinhadora).
Imaginou o ambiente? Acrescente-se o fato de que na primeira vez em que botei os pés no local jurei se tratar de um boteco carioca. Faltam agora os sabores, e nada melhor do que se arriscar em massas, porcos agridoces, frangos apimentados, fígados de peixes e rim de alguma coisa não sabida. Tem tudo ali, misturado ao som inconfundível da algazarra gastronômica dos beijinenses: os clientes falam e riem alto, o cozinheiro grita para a moça do caixa avisando que o pedido está pronto, a moça do caixa se esgoela para chamar um garçom mais próximo, que retruca com outro grito pra dizer que já vai buscar o prato. E a noite segue nesta confusão.
O Jia Yong me reconhece, traz o cachorro dele à mesa, um pequinês simpático que bebe um pouquinho de cerveja, mas prefere baijou - tipo a cachaça chinesa. Eles são todos simpatia. Jia dá um dedo por uma prosa, faz as vezes de fotógrafo com a máquina dos clientes e, em frente às cameras, não se intimida, faz pose. Eu não registrei, infelizmente.
Mas há quem tenha registrado. Dentre os três documentários que ele faz questão de mostrar na TV do bar - sempre ligada - está uma das histórias mais legais que eu já vi até agora sobre Beijing, o documentário Untouched (Intocado), da russa Varvara Shavrova. Moradora de Beijing desde 2005 e casada há 15 anos com um irlandês, a artista visual comparou duas vilas , uma da Irlanda e outra da China, e conta a história de personagens típicos, que trazem pra tela seus cheiros, sabores, texturas e sons preferidos. Mesmo que a gente não consiga captar tudo, a gente pode imaginar.
Nem preciso dizer que o personagem chinês escolhido pela russa foi o Jia e que muitas das locações ocorrem dentro do restaurante Tian Hai.
Recomendo muito a visita.
O endereço, em chinês, é este aqui
宣武区大栅栏西街37号
Telefone: 010-63044065
Postado em: 25/07/2010
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Leituras chinesas
Um dia acontece de você querer, ou precisar, desvendar a China. Como num passe de mágica, o país que antes era tão distante no globo agora se torna sua casa. Você aprende que saber para onde fica o Norte, o Sul, o Leste e o Oeste faz muito mais sentido que indicar a direita e a esquerda em Beijing, mas ainda não entende por que o povo local é tão peculiar.
Afinal, é peculiar um povo que cultiva o hábito de criar grilos como animais de estimação, acredita nos poderes quase que divinos da ingestão da água quente, desliga as geladeiras de refrescos e refrigerantes nos supermercados nos meses de frio, crê que tomate é fruta e sorri aos estrangeiros em meio a "hellos", já que quem não tem olho puxado vai entender inglês.
Em meio a tamanha diferença cultural, ler sobre a China e os chineses pode ser uma ótima ferramenta para quebrar algumas barreiras. E um passatempo divertido e enriquecedor - companhia, quem sabe, para a longa jornada aérea a que se submetem quem adota Brasil e China como endereços reais ou de coração.
Mas e o que comprar? Conheça abaixo algumas dicas. Se estiver no Brasil, aproveite para adquirir os livros por aí, já que na China eles não estão disponíveis. Se você estiver na China, pode pedir pra mãe, pai, irmão, irmã, namorado ou namorada saudosos, ou aquele melhor amigo enviar a você. Ou anote na sua lista de compras na próxima temporada verde-amarela. E boa leitura!
• O Felipe Machado, jornalista do Grupo Estado, escreveu em 2008 um livro super divertido sobre a China, Ping Pong, sobre a cobertura da Olimpíada. Tem muito aspecto de Beijing, do cotidiano da cidade, ele pescou direitinho a capital olímpica. Uma delícia de ler e ainda tem endereços dos lugares que o autor visitou. Serve como um guia.
• A Cláudia Trevisan, correspodente de O Estado de São Paulo na China, escreveu recentemente Os Chineses, que traça um panorama histórico bem interessante da China, além de explorar aspectos atuais, contemporâneos, cotidianos e culturais. É o primeiro livro do gênero escrito em português, por uma brasileira. Ótimas sacadas e comparações entre os dois países.
• Os Cisnes Selvagens é um clássico, fala de três gerações de mulheres, da era pré-Mao à era Mao, que conta a história da Jung Chang, escrita por ela mesma, de sua mãe e de sua avó.
• Caminhos da China, do jornalista norte-americano John Pomfret, é uma mistura das lembranças do autor à vida de cinco colegas dos idos de 1978 retratadas a partir dos relatos já nos anos 2000. Foi uma maneira bastante criativa e informativa de acompanhar as mudanças da China.
• Adeus, China, do bailarino Li Cunxin, fala da vida do próprio autor durante o maoísmo, de o quanto ele se encantou pelo exterior na primeira vez que deixou o país natal, de como foi difícil abandonar a família para estudar na capital, de vários aspectos provocados pelo governo comunista e então fechado do país.
• China, Uma Nova História é um livro de história, como o título sugere, o primeiro quando se pensa em referência, escrito por John King Fairbank e Merle Goldman. Os dois são sinólogos super respeitados no meio acadêmico.
• O complexo de Di, de Dai Sijie, o mesmo autor de Balzac e a Costureirinha Chinesa (que virou filme), conta a vida de um psicanalista chinês que viveu na França por 10 anos. Apesar de ser romanceado e não deixar isso claro, é a história real de Huo Datong, o próprio psicanalista, o primeiro a introduzir a psicanálise na China, em 1996, na província de Sichuan, a mesma atingida pelo terremoto de 2008.
• Mao, A História Desconhecida, da mesma autora de Cisnes Selvagens, traça um Mao de uma maneira extremamente pessimista, com um olhar que por vezes beira o ódio. Mas é um livro interessante, escrito junto ao marido da Chang, Jon Halliday.
• Vida Privada do Camarada Mao, escrito pelo médico pessoal do timoneiro, Li Zhisui. Ou seja, prato cheio para saber os segredos do fundador da Nova China.
• A China Sacode o Mundo, de James Kynge, traz uma série de textos com viés mais econômicos, mas super bem escritos e que te puxam para próxima história, contando um pouco do milagre perpetrado pelo poder central de Beijing.
Postado em: 18/06/2010
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Longe e perto de casa
Já acordou pela manhã cantarolando aquela música que o leva de volta para casa? Ou no maior desejo de comer feijão? E qual o site que você primeiro busca pela manhã? Ele está em português? Se você respondeu sim a pelo menos uma destas perguntas, bem-vindo ao clube dos expatriados que saem de casa pelos mais diversos motivos, mas que não se distanciam - não em pensamento - do lugar onde nasceram ou viveram a maior parte de suas vidas.
Há uns versos singelos do gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974) que ensinam assim:
"A minha casa fica lá detrás do mundo
Onde eu vou em um segundo
Quando começo a cantar
E o pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa
Quando começo a pensar"
O título é tão doce quanto a melodia do violeiro, Felicidade. Vez que outra é com o pensamento que a gente voa, quando todos estes vários motivos do mundo - o trabalho, os filhos, o marido, a namorada - deixam nossa casa tão distante. Mas vez que outra é em Beijing mesmo que resolvemos nossas saudades e de repente estamos de novo envoltos no clima brasileiro.
Quer exemplos? Que tal a festa junina da Brapeq, que está na quarta edição? Neste ano, o arraial rola no dia 5 de junho, sábado, das 17h às 21h30min. Adultos e criançada tem diversão garantida, com direito a roupas de caipiras e uma gama de quitutes que definitivamente não faz feio à Dona Benta. Data de confraternizar com os amigos, os pimpolhos e trazer os estrangeiros para conhecer um pouco mais da vasta cultura verde-amarela, que vai bem além do samba e da bossa nova, que mistura tudo isso, se orgulha de ser múltipla e mostra outras caras.
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Eu, que a partir de agora acompanho vocês neste espaço a cada 15 dias, também contribuo com esta busca pela cultura brasileira. Vez que outra estou por aí fazendo as vezes de DJ. E recém integro o Grupo Pau-Brasil, reunião de gente brasileira, norte-americana, chinesa que quer mostrar samba, capoeira e o que mais puder em Beijing. O primeiro encontro ocorreu em maio, no bar 2Kolegas. O próximo já tem data marcada, dia 13 de junho, a partir das 16h, no mesmo local.
São nesses locais que a gente se encontra, troca experiências e mostra o quão importante estarmos próximos, ainda que tão longe daquela outra casa.
Postado em: 03/06/2010
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