Desvendando a China
Lúcia Anderson trabalha como Editora de Português, mora em Pequim há 2 anos, é apaixonada pela China e escreve quinzenalmente neste espaço contando suas experiências e dando dicas para quem mora ou pretende vir morar em Pequim.
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Yunnan
Recentemente visitei a província de Yunnan e preparei algumas notinhas especiais sobre esse lugar tão encantador. Confiram!
* Yunnan, "Sob as nuvens". Esse é o nome e o significado dessa
província que é considerada a mais bonita de toda a China. A fama, de
fato, faz sentido. Grandes planícies, montanhas, céu azul como eu
nunca tinha visto e ar puro (raridade neste país) fazem desse lugar
uma parte obrigatória em qualquer viagem ao Império do Meio.
* Kunming, a capital de Yunnan, é conhecida "A cidade da primavera sem
fim" por seu constante clima agradável e sua farta vegetação. O ar da
capital de Yunnan também é considerado o melhor entre todas as
capitais do país.
* Em Yunnan, as cidades mais famosas são Dali, Lijiang e Shangri-lá.
Eu fui para as duas últimas e gostei muito, mas me apaixonei por
Shangri-lá.
* Shangri-lá é um lugar descrito no livro "O Horizonte Perdido" do
autor britânico James Hilton, como um vale místico, de beleza única,
ar puro e céu extremamente azul. o termo "Shangri-lá" virou sinônimo
de "Paraíso na Terra" e de um lugar isolado do mundo e onde todas as
pessoas são felizes.
* Diversas cidades no mundo quiseram pegar o título de "Shangri-lá",
mas em 2001 o governo chinês, em uma jogada de marketing para aumentar
o turismo na região, mudou o nome da cidade de "Zhongdian", no norte
de Yunnan, perto do Tibete, para "Shangri-lá". Deu certo.
* A cidade de Shangri-lá, "Xiānggélǐlā" (香格里拉, em chinês) significa "o
Céu e a Lua no coração", em tibetano. Fica a 3200 metros acima do mar,
quase na divisa da província de Yunnan e do Tibete. É um pouco difícil
chegar à cidade: primeiro é preciso pegar um trem de 12h da capital,
Kunming, até Lijiang. De lá, mais 5h de ônibus por estradas sinuosas.
Mas vale a pena. O lugar é realmente belíssimo e um paraíso perdido.
Montanhas, pastagens e muito verde circundam a cidade.
* Como quase todas as cidades antigas da China, há um centro antigo
com ruas de pedras onde os carros são proibidos e com muitas lojinhas
e restaurantes típicos.
* O lugar também serve como ponto de partida ou chegada para quem vai
ou acaba de voltar do Tibete. Conheci diversos viajantes que passaram
por Lhasa, a capital tibetana. Outro passeio imperdível.
* Apesar de Shangri-lá ser uma cidade turística, não há tantas coisas
assim para se fazer. Mas aí é que está o mais interessante. A cidade
não tem aquela loucura das cidades turísticas da China: todas
entupidas de gente, com filas em absolutamente todos os lugares,
centros comerciais etc.
* O melhor a se fazer para aproveitar tudo que Shangri-lá tem a
oferecer é alugar uma bicicleta e pegar um mapa. O rio Napa e as
pastagens ao redor dele ficam a cerca de 10 km da cidade. Em pouco
mais de uma hora é possível chegar ao lugar pedalando. Paz. Silêncio.
Céu azul. É tudo que quem mora em cidade grande precisa. E de quebra,
você ainda pode ver tibetanos andando de um lado para o outro. Todos
com roupinha típica. Muito lindo!
* Os tibetanos são extremamente simpáticos. Como há pouquíssimas
pessoas nas ruas, quando se vê alguém é natural parar e conversar um
pouquinho. Seja para pedir informação, seja só para cumprimentar
mesmo. Todos os tibetanos com que eu conversei ofereceram para que eu
conhecesse a casa deles e fosse tomar "chá de manteiga", uma bebida
muito consumida nas altas altitudes da China.
* A culinária da região é muito rica em gordura (para suportar o frio
e as altas altitudes) e come-se muito carne de iaque. Iaque é um
bovino com longa pelagem encontrado na região do Himalaia. Os
tibetanos usam o animal para quase tudo: fazem queijos e tomam seu
leite, comem a carne e usam a tração para o transporte. Em Shangri-lá
é muito comum macarrão com iaque, bolinho recheado de carne de iaque e
arroz frito com a carne do animal. Vegetais, legumes e frutas são
caros e raros de se encontrar na região.
* Por toda a cidade há pessoas fazendo lindas echarpes no tear. Cores
vivas entrelaçadas foram uma peça muito bonita. Pode-se comprar uma
echarpe feita a mão por cerca de R$ 20.
* As cidades mais turísticas de Yunnan são Dali e Lijiang. Ambas têm
um centrinho histórico cheio de lojinhas e restaurantes e rios que
cortam a cidade por todos os lados. Chegar a Lijiang é mais fácil do
que parece. Há dois meios: pegar um avião diretamente de Kunming,
capital provincial, ou de trem-leito. Eu recomendo o trem. A viagem de
12h é muito confortável e você ainda tem a chance de ver como os
chineses viajam. Uma cama em um vagão leito sai por menos de R$ 60.
Aventura!
* Em Lijiang, uma das melhores coisas é andar pelo centro histórico e
se perder nas vielas da cidade. Mas, infelizmente, a cidade é lotada
de turistas. Principalmente chineses. Grupos e mais grupos enchem cada
cantinho do lugar.
* O passeio mais bonito que eu fiz na cidade foi no "Black Dragon
Pool". Um parque com um belíssimo lago, pontes em estilo antigo e
pequenos templos. Lindo, lindo, lindo. Passei a tarde inteira lá (com
milhares de turistas chineses), mas valeu a pena.
* Agora você já sabe: em seu próximo passeio à China coloque "Yunnan"
em seu roteiro. E boa viagem!
Postado em: 01/11/2011
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Tianjin
Tianjn é uma cidade de 10 milhões de habitantes que abriga um dos maiores portos da China e tem a fama (injusta) de ser suja e desinteressante. Foi justamente o contrário disso que eu vi passeando pelas ruas dessa charmosa cidade: avenidas largas impecavelmente floridas e bem cuidadas, margens arborizadas do rio que corta a cidade, lixeiras por todas as partes para evitar a sujeira nas ruas e lugares muito interessantes para conhecer.
Distante apenas 128 quilômetros da capital chinesa, o transporte mais eficiente entre Pequim e Tianjin é feito por trem bala e leva somente 30 minutos. O bilhete custa entre 58 e 99 yuans (entre R$ 15 e R$ 25), dependendo do tipo de assento. Eu recomendo que você escolha o de primeira classe e aproveite bem a viagem. Serviço de bordo e revista estão à disposição dos passageiros.
Chegando na cidade, alguns pontos são parada obrigatória, como:
· Concessão italiana (Italian Concession ou Tianjin Italian Style Town) – região muito bonita com centenas de lojas, bares e restaurantes charmosos. A arquitetura, como o nome já diz, é italiana e serve de cenário para casais de noivos tirarem fotos para seus álbuns de casamento. Nunca vi tantas noivas em um só lugar! Vale a pena conhecer! Fica pertinho da estação de trem.
· O olho de Tianjin (The Tianjin Eye) – essa roda gigante (gigante mesmo!) é a única construída sob uma ponte. Com 120 metros de altura, permite vista panorâmica da fantástica cidade.
· Rua de Cultura Antiga (Ancient Culture Street) – diversas lojas vendem antiguidades (ou não...) típicas chinesas. Instrumentos musicais tradicionais, assim como jogos de chá são as lembranças mais procuradas.
· Torre de Tianjin (Tianjin Tower) – a torre de televisão de Tianjin, uma das maiores do mundo, foi construída em 1991. A vista da cidade também é de tirar o fôlego!
Há, ainda, muitos outros lugares que podem ser visitados e explorados, como o Museu de Tianjin, Parque Central, Templo de Confúcio, Torre do Sino... opções é que não faltam!
Se você está em Beijing e quer “dar uma escapadinha” da capital chinesa... Tianjin, sem dúvida, é a melhor opção!
Postado em: 12/10/2011
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Olá, pessoal!
Meu nome é Liu Long/刘隆 e meu nome brasileiro é Cristiano. Vocês podem me chamar Liu ou Cristiano. Sou chinês e, no momento, estou estudando na UCC (Universidade de Comunicação da China) em Pequim, no terceiro ano. Acabei de voltar do Brasil este mês de julho depois de ficar um ano nesse país do outro lado do mundo. Estudei na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) em Porto Alegre como intercambista.
Sou apaixonado pelo povo brasileiro e gosto muito de conhecer culturas diferentes. Adoro viajar como mochileiro e sou louco por futebol! Viajei para muitos lugares por todo Brasil, Argentina e Uruguai.
Vou escrever quinzenalmente nesta coluna mostrando, principalmente, as minhas impressões do Brasil pelos olhos de um chinês. Quero comparar as coisas que acontecem na minha vida, os costumes diferentes, conflitos culturais e também o que eu vi e ouvi falar e as minhas viagens pelo Brasil. Também pretendo mostrar hábitos típicos chineses para os meus amigos brasileiros.
Vou ser muito feliz se puder mostrar melhor o nossopaís que tem bem mais diferenças que semelhanças comparando com o Brasil. Também espero que possa contribuir um pouquinho para aprofundar a amizade entre os dois maiores países em desenvolvimento no mundo.
Boa semana pra todo mundo! 缘固可贵,更在人为!
Postado em: 01/09/2010![]()
Beijinhos
Outro dia li que uma universidade japonesa está oferecendo aulas para ensinar o nosso cumprimento brasileiro com beijinhos. Assisti a um vídeo dos alunos, todos sem jeito, tentando dar beijinhos ao falar "oi". A ideia é boa, principalmente para mostrar as diferenças culturais.
Depois da reportagem lembrei dos meus primeiros dias de Pequim, lá no comecinho de 2008... Depois de algum tempo na empresa, comecei a cumprimentar duas ou três colegas chinesas com beijinhos, como sempre fiz com amigas brasileiras. Depois de alguns dias, uma delas chegou para mim em um canto e disse: "Sabe, Lúcia, a gente entende que a cultura do Brasil é diferente, mas os outros colegas estão falando coisas de você... Eles estão achando que você gosta de mulheres porque sempre cumprimenta a gente com beijinhos, como fazem os namorados".
É claro que eu fiquei muito constrangida e sem jeito. Muito mais pela minha total ignorância (ingenuidade?) do que pelo cumprimento em si. Hoje eu fico surpresa ao ver como vim para cá sem saber absolutamente nada do país! Bom, para quem não sabe... os chineses NUNCA cumprimentam os outros com beijo no rosto. NUNCA. O aperto de mão substitui isso.
Os coreanos NUNCA encostam nos outros. Sempre estudei com muitos coreanos e fiz as mesmas perguntas que o Renato, do blog Nós na Coreia, fez: "Os coreanos não encostam nos amigos para cumprimentar. Mas e os seus pais e suas mães? Vocês beijam?" NUNCA. "E quando você passou na universidade? Seus pais te abraçaram?" NUNCA.
Pois é... para a gente isso é meio absurdo, muito diferente. Mas para os asiático dar beijinhos que é absurdo...
Só para vocês terem uma ideia, amigas andarem de mãos dadas é normal aqui na China. Eu ainda não acostumei com isso e acho muito estranho quando uma amiga chinesa pega na minha mão. Chineses (amigos) andam abraçados e, no metrô, é normal um amigo apoiar a cabeça no outro. Estranho para a gente, normal para os chineses. Culturas (bem!) diferentes.
Postado em: 10/08/2010
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Bicicletas
Depois de algumas semanas sem escrever, estou de volta com mais textos sobre a vida em Pequim. Hoje vou falar sobre o meio de transporte mais popular da China: as bicicletas.
Elas estão em absolutamente todas as partes e servem como meio de transporte para pessoas muito simples, executivos, crianças, idosos e até famílias inteiras. Provavelmente é o jeito mais eficiente de se ir de um lugar para outro por ser relativamente rápido, ecologicamente correto, barato e ainda por cima queimar umas calorias. Com o trânsito da capital chinesa cada vez mais congestionado, as bicicletas voltam a ganhar destaque por aqueles que querem ganhar tempo.
Só para vocês terem uma ideia, a distância da minha casa até o bairro de Sanlitun, onde ficam os melhores restaurantes e bares de Beijing, é aproximadamente 6km. De metrô, levo 30 minutos + 20 minutos de caminhada. De táxi, sem trânsito nenhum, cerca de 25 minutos. De táxi, com muito trânsito... já cheguei a ficar mais de 60 minutos no carro. Agora, de bicicleta, levo cerca de 40 minutos, sendo que meu recorde foi 35 minutos.
Pequim é muito plana e com ciclovias enormes para quem gosta de pedalar. Perto de cada estação de metrô há estacionamentos, a maioria pago. Deixar sua bike em um lugar protegido custa cerca de 20 centavos de yuan, ou cerca de R$ 0,05.
Uma bicicleta novinha - modelo simples - pode sair por poucos R$ 40, mas também pode chegar a alguns mil yuans. A minha eu comprei usada, de 3a mão de um amigo que estava voltando para o Brasil, e uso todos os dias há 2 anos. Está inteirinha.
Desde que a temperatura esteja entre 10 e 35 graus eu só uso bicicleta... e me sinto um pouquinho mais chinesa.
Postado em: 05/08/2010
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Depois de meses e meses de frio, finalmente o calor resolveu aparecer. A cidade inteira mudou: árvores bem verdes, flores por todos os cantos, parques cheios de pessoas querendo aproveitar o que a estação tem de melhor.
Se você não conseguiu ir ao piquenique do Brapeq ou se quer repetir a dose, pode aproveitar os inúmeros parques da capital chinesa. Uma boa opção para quem tem criança e pensa em esticar o passeio em montanha-russa e outros brinquedos é o Parque Chaoyang, no leste da cidade. Um pouco mais afastado do centro de Pequim, no noroeste, fica o Parque do Bambu Roxo, ótima opção para fazer um lanche ao ar livre. No oeste da capital chinesa está o Parque Yuyuantan, famoso por seus lagos e céu cheio de pipas.
Ao norte da Cidade Proibida fica o conhecido Parque Beihai. Além do imenso lago e de barcos para passeio, aos finais de semana o Beihai tem apresentação de uma banda formada só com instrumentos chineses. Por todos os lados também estão poetas que escrevem poesia diretamente no chão com um longo pincel. A ponta de espuma é umedecida com água e os caracteres escritos rapidamente secam. Poesia que dura segundos. Lindo...
Quem quiser conhecer de perto um pouco mais sobre a cultura chinesa não pode deixar de ir ao Templo do Céu, no sul da cidade. Chineses cantando e dançando, jovens e adultos jogando peteca e badminton, além do lindo templo com suas cores fortes faz desse lugar um passeio imperdível. Se você tiver sorte pode até ver noivas chinesas usando o tradicional vestido vermelho e tirando fotos para o álbum de casamento.
Postado em: 05/06/2010
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Táxis e fapiaos
Quem esteve na China a negócios certamente sabe essa palavra: 发票 ou fapiao, os famosos recibos. Aqui, eles estão por toda parte: em lojas, restaurantes e táxis. Andar de táxi na capital chinesa é relativamente barato e fácil (se você tiver o endereço do lugar que quer ir em chinês. Se não tiver... pode ser um pesadelo!) Os três primeiros quilômetros custam 10 yuans (cerca de R$ 2,50) e a cada quilômetro andado paga-se 2 yuans adicionais (R$ 0,50). Como o trânsito de Beijing em horários de pico fica mais parado do que andando, a cada 5 minutos com o carro parado, paga-se o equivalente a 1 km andado. Recentemente, uma taxa adicional de 1 yuan é cobrada se o preço da gasolina tiver aumentado. De qualquer forma, andar cerca de 10 km de táxi sai menos do que 30 yuans (R$ 7,50).
Sempre que o taxista inicia o taxímetro, uma pequena tira de papel começa a registrar todos os dados do veículo e do trajeto. O nome da companhia a que o táxi pertence é a primeira linha escrita. Um pouquinho abaixo, o carimbo da empresa. Aliás, os carimbos são importantíssimos aqui. Até mais do que assinaturas. Sem carimbo, o recibo não tem valor algum. Depois do carimbo vem o número do recibo e dados do carro, como placa e número da carteira de motorista de quem está dirigindo. Os dados da corrida incluem: data, hora de início e final do trajeto, preço por quilômetro, distância percorrida, tempo de espera e preço total.
O recibo sai automaticamente, mas muitas pessoas nem lembram de guardar. É muito importante manter o papel seguro em caso de esquecimento de algum objeto no veículo. Sem o "fapiao" é quase impossível recuperar o que foi perdido. Conheço pessoas que já esqueceram computadores e celulares caríssimos dentro dos táxis e não tinham o fapiao... E para achar o carro? "O motorista tem os olhos puxados e cabelos pretos e..." Já era! Lembrem-se de guardar os fapiaos!
Postado em: 25/05/2010
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Os chineses - em geral - são muito curiosos. Na rua, basta uma pessoa pedir informação que uns 3 ou 4 chineses se juntam para saber o que está acontecendo. Se for um estrangeiro que fala pelo menos o mínimo de chinês... pode esperar uma plateia de curiosos.
Nos parques, normalmente duas pessoas jogam xadrez chinês e pelo menos 10 ficam em volta dando palpites e vendo a evolução do jogo. No metrô, o livro ou jornal que você está lendo nunca é só seu. Quem está ao seu lado, com toda certeza, vai olhar, ler e interferir.
Deste lado do mundo, é normal conhecer alguém e já na primeira conversa perguntar o seu salário ou quanto você paga de aluguel. Os estrangeiros que vêm para a China precisam saber que tudo isso faz parte da cultura do país e não devem ser sentir ofendidos e nem obrigados a responder. Como os chineses mesmo falam quando querem discrição, um simples: "Esse é um segredo meu" ou "Isso é privado" é encarado de forma natural e faz a conversa mudar de rumo.
Uma coisa que intimida alguns estrangeiros que vão a pontos turísticos é quando chineses pedem para tirar fotos. Aproveite e também tire uma com a pessoa que pediu! É mais história para contar quando voltar ao Brasil.
Postado em: 08/05/2010
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Banquete Chinês
Na China, toda comemoração que se preze é feita com muita comida e, claro, bebida. No país de mais de 1 bilhão de habitantes e dezenas de gastronomias regionais, a comida ocupa espaço importante. Em um banquete chinês, o número de pratos, quase sempre, equivale a múltiplos do número oito ("ba", em chinês) que tem o mesmo som da palavra "boa sorte" ou então múltiplos de nove ("jiu") o mesmo som da palavra "longo", para que as pessoas tenham vida longa.
Na China, a comida é diretamente associada à saúde: os chineses acreditam que comer cabeça de peixe regenera as células cerebrais, que comida picante faz bem para a pele, que os chineses são magros porque comem muito arroz (ao invés de pão, como os ocidentais).
Língua de pato, abalones, ovos de mil anos, ninho de passarinho, cabeça de peixe, barbatana de tubarão, pepino-do-mar... todas essas iguarias fazem parte da mais sofisticada culinária chinesa. Difícil esquecer o sabor único dos camarões temperados com folhas de chá, das massas artesanais esticadas com a força dos braços, do pato de Pequim...
Durante os banquetes, os convidados se servem com seus palitinhos diretamente dos pratos, colocados no centro giratório da mesa. É bom não ter ninguém resfriado, senão já viu... O peixe é indispensável porque em chinês, o som do ideograma peixe ("yu") é igual ao da palavra fartura, o que significa que sempre haverá comida de sobra e para todos.
Além disso, não pode faltar carne de porco, frutos do mar, sopas, saladas, vegetais, jiaozi (um tipo de ravióli chinês) e muito tofu, preparado das mais diferentes formas: frito, com molho, sem tempero... Para complementar a refeição, pães quentes recheados e arroz.
O chá sempre está presente, e também refrigerante, cerveja e... baijiu! Baijiu é traduzido como "vinho branco chinês", mas na verdade é um forte destilado feito a partir de arroz e outros cereais. A concentração de álcool pode chegar a mais de 60%. Em almoços e jantares de negócio aqui na China, lá esta ele: o líquido transparente dentro de uma garrafa que parece inocente é servido em copinhos, como os de licor. Não há comemoração de negócios sem baijiu. E não esvaziar o copo berrando "ganbei" ("esvazie o copo" ou o equivalente ao nosso "saúde") é falta de respeito. Coisa séria.
Postado em: 27/04/2010
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Como esta coluna vai falar sobre a vida dos brasileiros em Pequim, nada melhor do que começar escrevendo um pouco sobre a própria cidade.
Pequim, Beijing ou 北京, que em chinês significa capital do norte, é uma metrópole com população de 17,4 milhões de habitantes, de acordo com dados oficiais da Agência de Notícias Xinhua.
Capital política, educacional e cultural do país, Pequim abriga o melhor do tradicional e do moderno, do cultural e comercial, do ousado e conservador em um só lugar. Centros comerciais gigantescos, distritos artísticos, templos, palácios, arranha-céus, charmosas vielas históricas e avenidas largas, alta gastronomia e pequenos restaurantes tradicionais estão sempre lado a lado. Essa é a capital chinesa: um lugar de antagonismos e para todos os gostos.
É em Pequim, em frente a Praça da Paz Celestial, que fica a Cidade Proibida, símbolo máximo da longa cultura chinesa. Só para citar mais alguns pontos históricos e turísticos da capital chinesa, podemos falar sobre o Parque Beihai, Palácio de Verão do Imperador, Templo do Céu, Distrito Artístico 798, Lago Houhai, Montanhas Perfumadas...
Se você quiser saber mais sobre Pequim, consulte nosso site clicando abaixo:
Postado em: 13/04/2010
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China: país de cultura milenar, infinitos sabores e aromas, dezenas de etnias, nação cheia de mistérios, preciosidades... encanta todos que passam por aqui.
Difícil encontrar uma pessoa que tenha passado por esse lado do mundo e ficado indiferente. Mais difícil ainda conhecer alguém que tenha ficado somente o tempo planejado. Os chineses e a cultura daqui cativam e fascinam os estrangeiros de certa maneira que é difícil explicar. Só mesmo estando aqui e passando pela experiência para entender.
Impossível falar da China sem exaltação, com poucos adjetivos. Aqui tudo vem no superlativo: a nação que tem o maior crescimento econômico, maior exportador do mundo, com a maior população, maior diversidade cultural, maiores obras de infraestrutura... Com lugares lindíssimos, gastronomia fantástica, povo mais amigável.
É sobre esse lugar único que este espaço vai falar quinzenalmente. Aqui no site do Brapeq você vai poder conhecer um pouquinho mais sobre a China. Se você está pensando em vir para o país, pode conferir dicas e saber como é a vida dos brasileiros desse lado do mundo.
Se já mora por aqui, pode participar com sugestões de assunto e também com textos sobre suas experiências.
Postado em: 01/04/2010

