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Desvendando a China

Lúcia Anderson trabalha como Editora de Português, mora em Pequim há 2 anos, é apaixonada pela China e escreve quinzenalmente neste espaço contando suas experiências e dando dicas para quem mora ou pretende vir morar em Pequim.

 

Olá, pessoal!

Meu nome é Liu Long/刘隆 e meu nome brasileiro é Cristiano. Vocês podem me chamar Liu ou Cristiano. Sou chinês e, no momento, estou estudando na UCC (Universidade de Comunicação da China) em Pequim, no terceiro ano. Acabei de voltar do Brasil este mês de julho depois de ficar um ano nesse país do outro lado do mundo. Estudei na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) em Porto Alegre como intercambista.

Sou apaixonado pelo povo brasileiro e gosto muito de conhecer culturas diferentes. Adoro viajar como mochileiro e sou louco por futebol! Viajei para muitos lugares por todo Brasil, Argentina e Uruguai.

Vou escrever quinzenalmente nesta coluna mostrando, principalmente, as minhas impressões do Brasil pelos olhos de um chinês. Quero comparar as coisas que acontecem na minha vida, os costumes diferentes, conflitos culturais e também o que eu vi e ouvi falar e as minhas viagens pelo Brasil. Também pretendo mostrar hábitos típicos chineses para os meus amigos brasileiros.

Vou ser muito feliz se puder mostrar melhor o nosso país que tem bem mais diferenças que semelhanças comparando com o Brasil. Também espero que possa contribuir um pouquinho para aprofundar a amizade entre os dois maiores países em desenvolvimento no mundo.

Boa semana pra todo mundo! 缘固可贵,更在人为!

Postado em: 01/09/2010

Beijinhos

Outro dia li que uma universidade japonesa está oferecendo aulas para ensinar o nosso cumprimento brasileiro com beijinhos. Assisti a um vídeo dos alunos, todos sem jeito, tentando dar beijinhos ao falar "oi". A ideia é boa, principalmente para mostrar as diferenças culturais.

Depois da reportagem lembrei dos meus primeiros dias de Pequim, lá no comecinho de 2008... Depois de algum tempo na empresa, comecei a cumprimentar duas ou três colegas chinesas com beijinhos, como sempre fiz com amigas brasileiras. Depois de alguns dias, uma delas chegou para mim em um canto e disse: "Sabe, Lúcia, a gente entende que a cultura do Brasil é diferente, mas os outros colegas estão falando coisas de você... Eles estão achando que você gosta de mulheres porque sempre cumprimenta a gente com beijinhos, como fazem os namorados".

É claro que eu fiquei muito constrangida e sem jeito. Muito mais pela minha total ignorância (ingenuidade?) do que pelo cumprimento em si. Hoje eu fico surpresa ao ver como vim para cá sem saber absolutamente nada do país! Bom, para quem não sabe... os chineses NUNCA cumprimentam os outros com beijo no rosto. NUNCA. O aperto de mão substitui isso.

Os coreanos NUNCA encostam nos outros. Sempre estudei com muitos coreanos e fiz as mesmas perguntas que o Renato, do blog Nós na Coreia, fez: "Os coreanos não encostam nos amigos para cumprimentar. Mas e os seus pais e suas mães? Vocês beijam?" NUNCA. "E quando você passou na universidade? Seus pais te abraçaram?" NUNCA.

Pois é... para a gente isso é meio absurdo, muito diferente. Mas para os asiático dar beijinhos que é absurdo...

Só para vocês terem uma ideia, amigas andarem de mãos dadas é normal aqui na China. Eu ainda não acostumei com isso e acho muito estranho quando uma amiga chinesa pega na minha mão. Chineses (amigos) andam abraçados e, no metrô, é normal um amigo apoiar a cabeça no outro. Estranho para a gente, normal para os chineses. Culturas (bem!) diferentes.

Postado em: 10/08/2010

Bicicletas

Depois de algumas semanas sem escrever, estou de volta com mais textos sobre a vida em Pequim. Hoje vou falar sobre o meio de transporte mais popular da China: as bicicletas.

Elas estão em absolutamente todas as partes e servem como meio de transporte para pessoas muito simples, executivos, crianças, idosos e até famílias inteiras. Provavelmente é o jeito mais eficiente de se ir de um lugar para outro por ser relativamente rápido, ecologicamente correto, barato e ainda por cima queimar umas calorias. Com o trânsito da capital chinesa cada vez mais congestionado, as bicicletas voltam a ganhar destaque por aqueles que querem ganhar tempo.

Só para vocês terem uma ideia, a distância da minha casa até o bairro de Sanlitun, onde ficam os melhores restaurantes e bares de Beijing, é aproximadamente 6km. De metrô, levo 30 minutos + 20 minutos de caminhada. De táxi, sem trânsito nenhum, cerca de 25 minutos. De táxi, com muito trânsito... já cheguei a ficar mais de 60 minutos no carro. Agora, de bicicleta, levo cerca de 40 minutos, sendo que meu recorde foi 35 minutos.

Pequim é muito plana e com ciclovias enormes para quem gosta de pedalar. Perto de cada estação de metrô há estacionamentos, a maioria pago. Deixar sua bike em um lugar protegido custa cerca de 20 centavos de yuan, ou cerca de R$ 0,05.

Uma bicicleta novinha - modelo simples - pode sair por poucos R$ 40, mas também pode chegar a alguns mil yuans. A minha eu comprei usada, de 3a mão de um amigo que estava voltando para o Brasil, e uso todos os dias há 2 anos. Está inteirinha.

Desde que a temperatura esteja entre 10 e 35 graus eu só uso bicicleta... e me sinto um pouquinho mais chinesa.

Postado em: 05/08/2010

 

Depois de meses e meses de frio, finalmente o calor resolveu aparecer. A cidade inteira mudou: árvores bem verdes, flores por todos os cantos, parques cheios de pessoas querendo aproveitar o que a estação tem de melhor.
Se você não conseguiu ir ao piquenique do Brapeq ou se quer repetir a dose, pode aproveitar os inúmeros parques da capital chinesa. Uma boa opção para quem tem criança e pensa em esticar o passeio em montanha-russa e outros brinquedos é o Parque Chaoyang, no leste da cidade. Um pouco mais afastado do centro de Pequim, no noroeste, fica o Parque do Bambu Roxo, ótima opção para fazer um lanche ao ar livre. No oeste da capital chinesa está o Parque Yuyuantan, famoso por seus lagos e céu cheio de pipas.
Ao norte da Cidade Proibida fica o conhecido Parque Beihai. Além do imenso lago e de barcos para passeio, aos finais de semana o Beihai tem apresentação de uma banda formada só com instrumentos chineses. Por todos os lados também estão poetas que escrevem poesia diretamente no chão com um longo pincel. A ponta de espuma é umedecida com água e os caracteres escritos rapidamente secam. Poesia que dura segundos. Lindo...
Quem quiser conhecer de perto um pouco mais sobre a cultura chinesa não pode deixar de ir ao Templo do Céu, no sul da cidade. Chineses cantando e dançando, jovens e adultos jogando peteca e badminton, além do lindo templo com suas cores fortes faz desse lugar um passeio imperdível. Se você tiver sorte pode até ver noivas chinesas usando o tradicional vestido vermelho e tirando fotos para o álbum de casamento.

Postado em: 05/06/2010

Táxis e fapiaos

Quem esteve na China a negócios certamente sabe essa palavra: 发票 ou fapiao, os famosos recibos. Aqui, eles estão por toda parte: em lojas, restaurantes e táxis. Andar de táxi na capital chinesa é relativamente barato e fácil (se você tiver o endereço do lugar que quer ir em chinês. Se não tiver... pode ser um pesadelo!) Os três primeiros quilômetros custam 10 yuans (cerca de R$ 2,50) e a cada quilômetro andado paga-se 2 yuans adicionais (R$ 0,50). Como o trânsito de Beijing em horários de pico fica mais parado do que andando, a cada 5 minutos com o carro parado, paga-se o equivalente a 1 km andado. Recentemente, uma taxa adicional de 1 yuan é cobrada se o preço da gasolina tiver aumentado. De qualquer forma, andar cerca de 10 km de táxi sai menos do que 30 yuans (R$ 7,50).
Sempre que o taxista inicia o taxímetro, uma pequena tira de papel começa a registrar todos os dados do veículo e do trajeto. O nome da companhia a que o táxi pertence é a primeira linha escrita. Um pouquinho abaixo, o carimbo da empresa. Aliás, os carimbos são importantíssimos aqui. Até mais do que assinaturas. Sem carimbo, o recibo não tem valor algum. Depois do carimbo vem o número do recibo e dados do carro, como placa e número da carteira de motorista de quem está dirigindo. Os dados da corrida incluem: data, hora de início e final do trajeto, preço por quilômetro, distância percorrida, tempo de espera e preço total.
O recibo sai automaticamente, mas muitas pessoas nem lembram de guardar. É muito importante manter o papel seguro em caso de esquecimento de algum objeto no veículo. Sem o "fapiao" é quase impossível recuperar o que foi perdido. Conheço pessoas que já esqueceram computadores e celulares caríssimos dentro dos táxis e não tinham o fapiao... E para achar o carro? "O motorista tem os olhos puxados e cabelos pretos e..." Já era! Lembrem-se de guardar os fapiaos!

Postado em: 25/05/2010

 

Os chineses - em geral - são muito curiosos. Na rua, basta uma pessoa pedir informação que uns 3 ou 4 chineses se juntam para saber o que está acontecendo. Se for um estrangeiro que fala pelo menos o mínimo de chinês... pode esperar uma plateia de curiosos.
Nos parques, normalmente duas pessoas jogam xadrez chinês e pelo menos 10 ficam em volta dando palpites e vendo a evolução do jogo. No metrô, o livro ou jornal que você está lendo nunca é só seu. Quem está ao seu lado, com toda certeza, vai olhar, ler e interferir.
Deste lado do mundo, é normal conhecer alguém e já na primeira conversa perguntar o seu salário ou quanto você paga de aluguel. Os estrangeiros que vêm para a China precisam saber que tudo isso faz parte da cultura do país e não devem ser sentir ofendidos e nem obrigados a responder. Como os chineses mesmo falam quando querem discrição, um simples: "Esse é um segredo meu" ou "Isso é privado" é encarado de forma natural e faz a conversa mudar de rumo.
Uma coisa que intimida alguns estrangeiros que vão a pontos turísticos é quando chineses pedem para tirar fotos. Aproveite e também tire uma com a pessoa que pediu! É mais história para contar quando voltar ao Brasil.

Postado em: 08/05/2010

Banquete Chinês


Na China, toda comemoração que se preze é feita com muita comida e, claro, bebida. No país de mais de 1 bilhão de habitantes e dezenas de gastronomias regionais, a comida ocupa espaço importante. Em um banquete chinês, o número de pratos, quase sempre, equivale a múltiplos do número oito ("ba", em chinês) que tem o mesmo som da palavra "boa sorte" ou então múltiplos de nove ("jiu") o mesmo som da palavra "longo", para que as pessoas tenham vida longa.

Na China, a comida é diretamente associada à saúde: os chineses acreditam que comer cabeça de peixe regenera as células cerebrais, que comida picante faz bem para a pele, que os chineses são magros porque comem muito arroz (ao invés de pão, como os ocidentais).

Língua de pato, abalones, ovos de mil anos, ninho de passarinho, cabeça de peixe, barbatana de tubarão, pepino-do-mar... todas essas iguarias fazem parte da mais sofisticada culinária chinesa. Difícil esquecer o sabor único dos camarões temperados com folhas de chá, das massas artesanais esticadas com a força dos braços, do pato de Pequim...

Durante os banquetes, os convidados se servem com seus palitinhos diretamente dos pratos, colocados no centro giratório da mesa. É bom não ter ninguém resfriado, senão já viu... O peixe é indispensável porque em chinês, o som do ideograma peixe ("yu") é igual ao da palavra fartura, o que significa que sempre haverá comida de sobra e para todos.

Além disso, não pode faltar carne de porco, frutos do mar, sopas, saladas, vegetais, jiaozi (um tipo de ravióli chinês) e muito tofu, preparado das mais diferentes formas: frito, com molho, sem tempero... Para complementar a refeição, pães quentes recheados e arroz.

O chá sempre está presente, e também refrigerante, cerveja e... baijiu! Baijiu é traduzido como "vinho branco chinês", mas na verdade é um forte destilado feito a partir de arroz e outros cereais. A concentração de álcool pode chegar a mais de 60%. Em almoços e jantares de negócio aqui na China, lá esta ele: o líquido transparente dentro de uma garrafa que parece inocente é servido em copinhos, como os de licor. Não há comemoração de negócios sem baijiu. E não esvaziar o copo berrando "ganbei" ("esvazie o copo" ou o equivalente ao nosso "saúde") é falta de respeito. Coisa séria.

Postado em: 27/04/2010


Como esta coluna vai falar sobre a vida dos brasileiros em Pequim, nada melhor do que começar escrevendo um pouco sobre a própria cidade.

Pequim, Beijing ou 北京, que em chinês significa capital do norte, é uma metrópole com população de 17,4 milhões de habitantes, de acordo com dados oficiais da Agência de Notícias Xinhua.

Capital política, educacional e cultural do país, Pequim abriga o melhor do tradicional e do moderno, do cultural e comercial, do ousado e conservador em um só lugar. Centros comerciais gigantescos, distritos artísticos, templos, palácios, arranha-céus, charmosas vielas históricas e avenidas largas, alta gastronomia e pequenos restaurantes tradicionais estão sempre lado a lado. Essa é a capital chinesa: um lugar de antagonismos e para todos os gostos.

É em Pequim, em frente a Praça da Paz Celestial, que fica a Cidade Proibida, símbolo máximo da longa cultura chinesa. Só para citar mais alguns pontos históricos e turísticos da capital chinesa, podemos falar sobre o Parque Beihai, Palácio de Verão do Imperador, Templo do Céu, Distrito Artístico 798, Lago Houhai, Montanhas Perfumadas...

Se você quiser saber mais sobre Pequim, consulte nosso site clicando abaixo:

Postado em: 13/04/2010

China: país de cultura milenar, infinitos sabores e aromas, dezenas de etnias, nação cheia de mistérios, preciosidades... encanta todos que passam por aqui.

Difícil encontrar uma pessoa que tenha passado por esse lado do mundo e ficado indiferente. Mais difícil ainda conhecer alguém que tenha ficado somente o tempo planejado. Os chineses e a cultura daqui cativam e fascinam os estrangeiros de certa maneira que é difícil explicar. Só mesmo estando aqui e passando pela experiência para entender.

Impossível falar da China sem exaltação, com poucos adjetivos. Aqui tudo vem no superlativo: a nação que tem o maior crescimento econômico, maior exportador do mundo, com a maior população, maior diversidade cultural, maiores obras de infraestrutura... Com lugares lindíssimos, gastronomia fantástica, povo mais amigável.

É sobre esse lugar único que este espaço vai falar quinzenalmente. Aqui no site do Brapeq você vai poder conhecer um pouquinho mais sobre a China. Se você está pensando em vir para o país, pode conferir dicas e saber como é a vida dos brasileiros desse lado do mundo.
Se já mora por aqui, pode participar com sugestões de assunto e também com textos sobre suas experiências.

Postado em: 01/04/2010